A polícia descer do morro e vir prender a classe média tem seu lado positivo. Finalmente essa classe será confrontada com parte daquilo que as periferias passam diariamente e desde sempre. Não atentar para esse aspecto e deixar reinar essa ‘perplexidade aterrorizada’ sobre as prisões arbitrárias que ocorreram na copa, parece conter em algum grau um desrespeito à população periférica que está acostumada com esse tipo de situação (prisões arbitrárias, provas insuficientes, arguições non-sense justificando as prisões) e nunca viu ninguém ficar perplexo na periferia.

Além disso, esse discurso, e mais precisamente a parte sobre a qual ele não fala, sugere que era melhor antes, quando o problema atingia apenas o morro e que, até aquele momento, só o que faltava era estender os direitos já conquistados pelas classes média e alta para os pobres. Sugere uma espécie de estratégia na qual os direitos conquistados chegariam progressivamente de cima para baixo. Essa estratégia parece mais uma vez conter algum grau de desrespeito, pelo simples fato de que supõe que aqueles que já conquistaram os direitos, os da classe média e alta, serão os principais agentes da luta, pois esses estarão em condições imensamente superiores de promover essa transformação do que aqueles que ainda não tem os mesmos direitos garantidos (o direito de não ser preso arbitrariamente, no caso).

Nossa luta é conjunta! Devemos lutar com todas as forças pela liberdade dos nossos presos, mas não podemos cair no discurso de que “esses são os presos políticos e aqueles são os presos comuns”. Todo preso é preso político! Fora PM do mundo!

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